
A Fórmula Um é uma competição tecnológica que em raros momentos assume feições de esporte. Por mais que um piloto seja bom, o equipamento é decisivo. No campeonato atual, vemos o domínio de um carro excelente comandado por uma equipe pequena. Ou melhor: um carro excelente construído pela Honda, uma das maiores (pelo menos em se tratando de orçamento) equipes da Formula Um, ao longo de nove meses pelo montante de 1,3 bilhão de reais. O carro acabaria sob a tutela de Ross Brawn, antigo chefão contratado da Honda que aproveitou a crise da montadora japonesa para iniciar a equipe que leva seu nome. A dupla formada pelo inglês Jenson Button e pelo brasileiro Rubens Barrichello guia o modelo vencedor de seis de oito corridas (todas as vitórias nas mãos de Button). Muito se tem falado a respeito de uma suposta genialidade de Ross Brawn e Jenson Button. Mas as cifras e o contexto em muito contribuem para que se reveja a grandeza dos feitos. Além do orçamento grandioso também há a questão do tempo. Enquanto Mclaren-Mercedes e Ferrari brigavam até a última curva (literalmente) pelo o campeonato de 2008, a ex-Honda já estava no nono mês de desenvolvimento do projeto encabeçado pelo diretor técnico Joerg Zander. Essa vantagem de tempo parece ter sido decisiva na interpretação e no aperfeiçoamento do novo regulamento técnico implantado em 2009. São até cabíveis os elogios a Brawn, afinal foi este mesmo homem que comandou a fase vitoriosa da Beneton com o carro guiado por Michael Schumacher e que, acompanhando o piloto alemão em sua ida para a Ferrari, ajudaria a construir a melhor fase da história da equipe do cavalinho rampante. Porém, pode soar absurdo dar a alcunha de gênio a um piloto que nunca se mostrou grande coisa em nove anos de Fórmula Um. E na temporada em disputa, não se viu Button fazer mais que não “atrapalhar” o carro muito bem nascido. Ademais, começa-se a relativizar o desempenho de Schumacher, o piloto que mais venceu na categoria.